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O “problema” da “IA”

Há algum tempo venho pensando em voltar a escrever para o blog ou gravar vídeos. Tenho muitas ideias, mas o senso de perfeccionismo ainda me atrapalha. Desde o começo, acredito que não atingirei o resultado que visualizo. Como avalio e estudo modelos de linguagem nos últimos dois anos, decidi arriscar um texto não-técnico. Fiz uma análise da realidade material sob o viés de um empreendedor não capitalizado.

Definições Iniciais

Para começar, precisamos alinhar as definições. Inteligência Artificial é apenas um rótulo de marketing. O nome correto é LLM (Large Language Model, ou Grande Modelo de Linguagem), ou como chamarei daqui para frente: o “Modelo” ou “Modelo de Linguagem”.

A IA é apenas isso: um grande Modelo acoplado a um programa. Este programa transforma linguagem natural em cálculo estatístico.

A Natureza da “Magia”

É importante alinhar essa expectativa, pois pode parecer mágica. Fazer uma pergunta e o modelo trazer uma resposta, na verdade, é pura matemática, um “idioma” que não costuma ser muito apreciado.
Quando você testa o modelo, percebe o quanto ele é limitado. Ele modifica o que não foi pedido e entende as ordens, mas frequentemente as ignora.

Chega ser frustrante. Tenho vontade de resolver o problema, pois ele é simples. No entanto, se eu fizer isso, não evoluirei na forma de interagir. A grande questão é como expressar o que se deseja.

A Limitação da Comunicação

Se entre seres humanos, onde o contexto da comunicação é muito maior, isso já é difícil, imagine quando toda troca é textual.
Vocês não têm ideia de quantas vezes eu faço uma pergunta com resposta sim ou não, e as pessoas me respondem com um texto longo, geralmente descontextualizado e fora da lógica que eu seguia.

Quando essa comunicação ocorre com um modelo, o processo pode ser extremamente complicado. Geralmente, leva horas de processamento que acabam sendo perdidas, pois o modelo se desviou do objetivo inicial.

O Foco no Marketing

Se analisarmos friamente, o problema não é a “IA”; é o marketing, é a enganação. Temos uma tecnologia onde os detentores não entendem o que fazer com ela. Além disso, é uma tecnologia com altos custos de manutenção. Por isso, eles precisam vender rapidamente.

O erro começa quando o fabricante anuncia a substituição humana de forma prematura. Isso é puro marketing especulativo, no pior estilo do capitalismo tardio (previsto com maestria por Marx).

O Diferencial Humano

A tecnologia tem potencial, mas ainda está longe de substituir a força de trabalho. O modelo não cria nada. Ele reproduz padrões a partir de um contexto, mas não cria algo que não exista nos padrões.

Este é o diferencial do ser humano. Nossas experiências nos permitem conectar conhecimentos fora dos padrões. Neste ponto, o modelo é uma ferramenta fantástica. Ele acelerou muito minha produção de código, primeiro no front-end, depois no back-end.

Desafios na Execução

No entanto, não se iluda. Para atividades mais complexas, estou ensinando um agente a operar por mais de uma semana. Já testei três ou quatro agentes. Todos falham no mesmo ponto: eles não conseguem seguir o fluxo lógico que minha cabeça usa. Eu crio instruções lógicas, e eles as ignoram deliberadamente. Quando corrijo, eles ainda respondem com desculpas.

Isso explica por que a maioria dos projetos falha. Explica por que as empresas que se apressaram e dispensaram a força humana estão se arrependendo. É como contratar um aprendiz para fazer o trabalho do gerente. Falta a capacidade de conexão de conhecimentos e de interpretação. Além disso, “merdas acontecem” na rotina profissional.

Conclusão

Para fechar a ideia, eu não tenho assinaturas “premium” de nenhum grande player. Essa é minha opção. Os grandes players são responsáveis pelo desastre da internet.

O modelo de comercialização deles nunca funcionará. Quando surgem novos usos para os modelos (como a febre de assistentes), eles criam limites e aumentam os preços. Se o aumento de preço inviabilizar o negócio, “que pena”.

Essa história está longe do fim, mas o modelo das big tech não se sustenta, como um esquema Ponzi. O uso dos modelos de linguagem nos surpreenderá. Isso ocorre porque temos uma vantagem: a quantidade de comunidades criativas, focadas e determinadas que querem compartilhar os frutos do trabalho.

Nos vemos na próxima!

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